Festas Tradicionais Aspectos Etnográficos:A festa ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, que se realiza anualmente no quinto domingo depois da Páscoa é a maior manifestação da religiosidade não só do povo micaelense mas de todo o arquipélago. A imagem do Senhor Santo Cristo que se venera no convento da Esperança, percorre em procissão, as ruas de Ponta Delgada. Esta festa, tem também uma forte componente profana, feiras de actividades econónimas, exposições e os "tradicionais comes e bebes" atraem a Ponta Delgada alguns milhares de pessoas, entre emigrantes, turistas, e pessoas de todos os cantos da ilha.
De Abril a Junho as festas do Divino Espírito Santo, que se realizam em todas as localidades, são as de maior tradição nos Açores. A Procissão do Senhor dos Enfermos, que se realiza em algumas localidades, no primeiro domingo depois da Páscoa, são mais uma manifestação da fé deste povo, tendo maior realce a das Furnas pela beleza dos tapetes de flores, que ornamentam as ruas desta localidade.
Quase todas as localidades, realizam durante os meses de Verão as procissões e festas aos seus Santos padroeiros. Os romeiros são uma manifestação religiosa única. Grupos de homens, rezando, percorrem a pé, durante uma semana, toda a ilha. Vila Franca do Campo, festeja o São João a 24 de Junho, com marchas e espectáculos. Na Ribeira Grande, a 29 de Junho realizam-se as Cavalhadas, homens montados a cavalo, com vestes coloridas, desfilam pelas ruas até à Igreja de São Pedro, onde em verso saúdam o referido santo. Em seguida, vai aos Paços do Município, ali mesmo ao lado da igreja do Espírito Santo (também conhecida como do Senhor dos Passos ou da Misericórdia) e do Jardim Municipal, onde procede a uma embaixada de cortesia junto das autoridades municipais e dá três voltas em redor do mesmo Jardim (suposto ser em redor daquela igreja) num apelo, dizem, para a necessidade de Deus, em Santíssima Trindade, e presença viva através da Fé, Esperança e Caridade, percorrendo de imediato a igreja Matriz (uma volta) e a ermida de Santo André, porque irmão de Pedro (três voltas, freguesia da Matriz), e ruas de todas as freguesias citadinas. As Cavalhadas terminam no pequeno palácio da Mafoma.
Aproveitando matéria prima que a natureza oferece, o artesanato é rico e variado. Bonecos com trajes típicos dos Açores, feitos de folha de milho, espadana, serapilheira ou pano, flores em escamas de peixe, peças feitas em osso e dente de baleia, trabalhos em vime, mantas, colchas e tapetes tecidos em teares manuais, a cerâmica de Vila Franca, muito rústica, a da Lagoa, pintada à mão com diversos tons, destacando-se o azul, os painéis da Ribeira Grande, pintados à mão sobre vidrado cru.
Um folclore rico, quer nos trajes, colorido nas mulheres e sóbrio nos homens, quer na dança e nos cantares típicos. Existem bons grupos folclóricos que têm efecuado trabalho de pesquisa, conseguido reproduzir com rigor os trajes as músicas e danças de antigamente. Nas festas do Espírito Santo de alguns locais, destacam-se os foliões, homens trajando capas vermelhas (opas), que animam os cortejos com a sua música e cantares.